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Introdução
"O projeto que pretendemos dinamizar faz todo o sentido numa
altura em que a opinião pública do nosso país, e as gerações que
nos antecedem, têm uma visão negativa do professor,
dispensando-lhe um estatuto pouco abonatório, até mesmo
dirimindo o papel preponderante que este assume na preparação
dos nossos jovens."
Na medida em que a formação pessoal, social e cultural dos
docentes necessita de ser constantemente atualizada e responder
aos desafios que, muitas vezes, nos são colocados pelos alunos,
achamos por bem desenvolver um trabalho de índole formativa, no
sentido de, progressivamente, disponibilizar aos colegas
informação recente e simples, mas suficientemente cativante para
que os docentes se tornem agentes de procura e catalisadores de
uma formação que, em nosso entender, deverá ser heterogénea,
independentemente da disciplina que cada um ministra.
Há muito que o professor deixou de ser um mero transmissor de
saberes. E porque “o saber não ocupa espaço”, o projeto Ler +
para todos propõe-se ir ao encontro de um Projeto Educativo que
nos parece ponderado e voltado para as respostas que a própria
sociedade exige: o professor deve ser capaz de “incentivar [nos
jovens] a curiosidade intelectual e o gosto pelo trabalho, pelo
estudo e pela investigação, não os circunscrevendo às balizas e
limites do currículo nacional” (página 8, PEE, HBG). Parece-nos
evidente que esta curiosidade intelectual terá de partir do
próprio docente, pelo que o projeto a que nos propomos tem como
foco principal o professor , a fim de que, e em consequência
disso, a mesma apetência pelo saber se possa refletir na
formação paralela aos currículos das diferentes disciplinas, da
qual são exemplo os intercâmbios que o nosso estabelecimento de
ensino tem dinamizado no âmbito do Clube Europeu.
Digamos que o que se pretende também é a criação de uma
metalinguagem que circule dentro (e fora) da escola e que vise,
simultaneamente, difundir conhecimentos da atualidade e
valorizar o que de melhor temos no nosso país, dando a conhecer
nomes que, cada vez mais, se afirmam na cultura europeia onde
tão acolhidos entusiasticamente, sem que desse acolhimento
tenhamos conhecimento. E não nos faltarão exemplos (talvez, sim,
espaço para os enumerar!):
- Paula Rego, Vieira da Silva e Amadeo Souza Cardozo; Mário
Cesariny e Joana Vasconcelos (artes plásticas);
- Manuel Oliveira, Pedro Costa, Bruno Carnide, Maria de Medeiros
(cinema/fotografia-cinematográfica);
- Tito Mouraz (fotografia);
- Egas Moniz, António Dâmaso e Fundação Champalimaud
(neuro-ciência/medicina/investigação de ponta nas ciências
médicas);
- Maria João Pire, Carlos do Carmo, Mariza, Buraka Som Sistema,
entre muitos outros (música);
- Fado considerado património imaterial da humanidade;
- Pessoa e Saramago, (literatura);
- Tapeçarias de Portalegre (tapeçaria);
- Siza e Souto de Moura (arquitetura, ambos premiados com o
equivalente ao “nobel” da arquitetura);
- Prémios internacionais atribuídos a jovens na área da
medicina, física, novas tecnologias;
- André Letria, André Carrilho e André da Loba (ilustração
contemporânea – premiado pela revista norte-americana 3x3 nas
categorias de cartoon/banda desenhada, animação, editorial e
retratos);
- Leonel Pereira (gastronomia);
- Paulo Monteiro (BD – premiado no Festival Internacional
Amadora BD);
- Hugo Vieira (publicidade);
- Eusébio, Cristiano Ronaldo e João Rodrigues, entre outros
(desporto);
- Mota Engil e Soares da Costa (construção civil e obras
públicas).
“Nada
mais generoso que a Cultura, que só tem sentido quando é feita
para partilhar.”
João de
Melo (escritor)
“A cultura, em todas as suas manifestações, é um elemento
catalisador dos processos de aproximação e conhecimento entre as
sociedades. Em suas distintas expressões, permite descobrir as
nossas singularidades respetivas e fortalecer os laços que nos
unem, servindo de veículo para estreitar a unidade num marco de
respeito pela diversidade. “
Miguel Ángel
Moratinos (político e diplomata espanhol)
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